Com
a chegada no verão, os cuidados com bebês e crianças em relação
à exposição solar precisam ser ampliados na mesma proporção do aumento
do calor e dos dias ensolarados.
Esta é uma pauta de discussão anual e nunca deve ser deixada de
lado. Embora pouco debatida, a incidência do câncer de pele em
crianças é maior do que se imagina, daí a importância de falarmos de
medidas preventivas a queimaduras, brotoejas, infecções de pele
e dermatoses.
Na
adolescência, a doença tem uma incidência anual de 18 casos por um
milhão de indivíduos com idades entre 15 e 18 anos. Em crianças menores
de dez anos é mais difícil de
ser encontrada, com uma taxa de incidência de aproximadamente um caso
para cada um milhão de crianças com idade inferior a 10 anos.
O
câncer de pele resulta dos efeitos da exposição solar em médio e longo
prazo e pode aparecer a partir do surgimento de lesões pigmentadas –
conhecidas como pintas ou nervos melanocíticos, que
podem evoluir para um quadro maligno ou não ao longo da vida. Ele
aparece em adultos, crianças e adolescentes, já que a nossa derme “tem
memória” e acumula os danos solares ao longo da vida. Segundo dados
do GRAAC, o câncer de pele em crianças representa de
1% a 3% de todos os casos de câncer infantil.
Em
média, as crianças se expõem ao sol 3x mais que os adultos, e grande
parte – cerca de 80% – da radiação UV (ultravioleta) é acumulada na pele
durante a infância e adolescência.
A maior preocupação é o dano solar crônico, causado progressivamente
como resultado da exposição solar diária sem proteção em qualquer
atividade ao ar livre, como na escola e no carro, sem a devida
prevenção. Além disso, há o fator hereditário, ou seja, quando há
histórico de melanoma na família, é essencial tomar todos os
cuidados preventivos possíveis. Outro ponto a destacar é que as crianças
de pele e olhos claros, ruivas, com sardas ou albinas
têm maior predisposição à doença.
Em
todos os casos, a prevenção é a mesma: evitar exposição à luz solar sem
proteção adequada e oferecer muito líquido, para garantir a hidratação.
No
caso de melanomas, diferentemente do que ocorre com adultos, em
crianças normalmente eles estão relacionados a síndromes hereditárias e a
lesões de pele que podem sofrer
alterações. Também diferentemente da forma como se apresenta em
adultos, que normalmente têm lesões de coloração escura, em crianças o
melanoma surge a partir de lesões amareladas, esbranquiçadas ou
rosadas.
De
qualquer maneira, continua extremamente importante iniciar as medidas
de proteção bem cedo, considerando que os danos solares são cumulativos e
a incidência de queimaduras
solares na infância aumenta o risco de melanoma na idade adulta.
É
importante ressaltar que é normal as crianças terem pintas e nevos, que
são pequenas manchas marrons ou saliências que vão surgindo
progressivamente e são comuns na região
do tronco. Quanto maior a exposição ao sol, mais nevos surgem. Porém,
embora eles não sejam motivo de preocupação a menos que modifiquem suas
cores e formas, é necessário que os pais ou responsáveis fiquem atentos,
pois a quantidade excessiva de nevos constitui
fator de risco para o melanoma.
Assim, os
pais devem ficar atentos a pele das crianças, observar lesões pelo
corpo inteiro, e não somente nas partes mais expostas aos raios solares.
É importante verificar
mãos, unhas, pés e o couro cabeludo e observar se, de tempos em tempos,
esses sinais não se modificam.
Os sintomas de melanoma infantil mais comuns são:
- Saliências na pele que coçam ou sangram.
- Sinais de aparência estranha e tamanho grande, diferentes de outras pintas existentes no corpo da criança.
- Uma lesão similar a uma verruga, de cor amarelada, esbranquiçada ou rosada.
Por
fim, no verão é essencial que os cuidados relacionados à alimentação,
hidratação, vestuário e exposição solar sejam redobrados, e não somente
com as crianças. Para todos,
a regra é a mesma: se for para se expor ao sol, lembre-se de respeitar
os horários adequados, evitando os picos de emissão de radiação
ultravioleta, que ocorrem das 10h às 16h, e nunca deixe de aplicar
protetor solar adequado à pele e à faixa etária das crianças. O
uso de vestimentas apropriadas, chapéus e óculos de sol aumentam a
proteção, e o filtro solar deve ser com FPS acima de 30. Bebês menores
de seis meses não devem usar protetor solar e nem serem expostos ao sol
após as 10h da manhã.
Se restarem dúvidas, vale consultar um pediatra ou dermatologista.
* Cláudia Lopes é pediatra e professora do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa.