quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Coluna do Professor Luciano Curi

 


Como escolher seu curso de Ensino Médio?

 

Quem já passou pela escola, e aqueles que estão estudando, já sabem. Depois do Ensino Fundamental (antigo 1º Grau) e antes da Faculdade (Universidade ou Ensino Superior) tem um curso chamado Ensino Médio (antigo 2º Grau). Desse modo podemos dizer que o Ensino Médio é uma etapa escolar estratégica (entre o Fundamental e o Superior) na qual tomamos importantesdecisões pessoais e profissionais. Portanto refletir sobre ele é importante para todos: estudantes, pais e educadores.

O atual Ensino Médio já teve outros nomes ao longo da história brasileira. Já se chamou 2º Grau (1971 a 1996) e Colegial (1550 a 1971). O nome atual de Ensino Médio data de 1996 e é uma exclusividade brasileira. Contudo, foi apenas a partir de 2009 que ele se tornou parte da Escolaridade Básica Obrigatória para todos os brasileiros, inclusive, para aqueles que não pretendem fazer uma Faculdade (ou Ensino Superior).

O Ensino Médio também já mudou de formato e de lugar na Estrutura Educacional Escolar Brasileira. Antes de 1931 ele não era obrigatório no Brasil para o ingresso nas Faculdades da época (ou Academias). Os Colégios e o curso Colegial já existiam, mas não era obrigatória a frequência nestas instituições. Até esta épocahavia um outro caminho que se chamava Exames Parcelados que eram um conjunto de provas ministradas pelas próprias Faculdades. Cada Parcelado dava direito a um certificado de aprovação. Assim que o estudante obtivesse todos os certificadosnecessários poderia se matricular na Faculdade, independentemente de estar cursando, ou não, o Colegial.

Desse modo, assim que aprovado nos Parcelados a maioria dos estudantes abandonava o Colegial. Nesta época não se valorizava a socialização, a convivência social dos adolescentes e jovens para além da famíliano curso Colegial, mas apenas o ingresso no Ensino Superior. Por esse motivo até a década de 1930 existiam poucos colégios no Brasil, inclusive, havia Estados que não possuía tais instituições.

Até 1971, o que hoje chamamos de Ensino Médioera parte de um curso maior chamado Ensino Secundário (duração de sete anos). O Secundário dividia-se em dois ciclos. O primeiro chamava-se Ginasial (atual Ensino Fundamental Anos Finais – 6º ao 9º Ano) e depois o Colegial (atual Ensino Médio). Antes do Secundário existia o Primário (atual Ensino Fundamental Anos Iniciais - 1º ao 5º Ano). Na passagem do Primário para o Secundário existia um temível, e desnecessário, vestibular chamado Exame de Admissão que foi extinto em 1971.

Portanto, até 1971 os estudantes adolescentes imediatamente pré-universitários eram chamados de Secundaristas Colegiais (e não Secundaristas Ginasiais). Essa é a razão pela qual a UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas – fundada em 1948) conserva até hoje esse nome; ela representava, e até hoje do mesmo modo, os estudantes ginasiais e colegiais.

É importante informar aqui ao leitor que os nomes Ensino Primário e Ensino Secundário são mais conhecidos internacionalmente do que as atuais opções terminológicas brasileiras (Ensino Fundamental e Ensino Médio) eque estas acabam causandocertas confusões e dificuldades de entendimento.

Contudo aqui há um outro ponto importantíssimo a tratar, comentar e explicar. O Ensino Médio possui vários formatos, diferente do que ocorre com o Ensino Fundamental que é o mesmo modelo geral para todos os estudantes. Isso mesmo.Existe uma diversidade interna no Ensino Médio que é fruto de sua história que remonta aos Colégios Medievais e as Escolas Técnicas da época moderna.

Por isso muitos estudiosospreferem utilizar a expressão Nível Médio por que esta contemplamais adequadamente a diversidade interna, as variaçõesexistentes dentro desta etapa escolar. O Nível Médio é, portanto, um compósito de vários tipos de escolarização de origens e épocas diferentes que convergiram ao longo do século XX e formaram uma única etapa escolar. Essa expressão não aparece na lei brasileira, na LDB, por exemplo. Isso, no entanto, não a torna incorreta e nem inoportuna. O próprio MEC a utiliza no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT).Ao contrário, ela consegue contemplar com mais precisão a totalidade de cursos existentesentre o Ensino Fundamental e o Ensino Superior.

Assim, no Nível Médio existem desde cursos exclusivamente Técnicos (Formação Profissional), outros inteiramente de Formação Básica (ou Formação Geral) e cursos Híbridos (Técnicos e Básicos) e todos eles compõem a mesma etapa escolar. Ao todo são sete variações.

 

NÍVEL MÉDIO NO BRASIL ATUAL - VARIAÇÕES

Nº

Sigla

Curso (Nome)

Caracterização (formação ofertada)

Público

Instituições de Realização

Tipo

Quant. de Matric.

01

EM

Ensino Médio Regular

Formação Básica

Adolescentes

Escola Única

FB

Matrícula Única

02

EM - EJA

Ensino Médio - EJA

Formação Básica

Adultos

Escola Única

FB

Matrícula Única

03

TC - EM

Técnico Concomitante - EM

Formação Básica e Formação Profissional

Adolescentes

Escola Única

Ou Duas Escolas

Híb

Duas Matrículas

04

TC - EJA

Técnico Concomitante - EJA

Formação Básica e Formação Profissional

Adultos

Escola Única

Ou Duas Escolas

Híb

Duas Matrículas

05

EMI

Ensino Médio Integrado

Formação Básica e Formação Profissional

Adolescentes

Escola Única

Híb

Matrícula Única

06

EMI - EJA

Ensino Médio Integrado -  EJA

Formação Básica e Formação Profissional

Adultos

Escola Única

Híb

Matrícula Única

07

TS

Técnico Subsequente ou Pós-Médio

Formação Profissional

Adultos

Escola Única

FP

Matrícula Única

SIGLAS:

TC – Técnico Concomitante – quando os estudantes fazem dois cursos de Nível Médio ao mesmo tempo, com matrículas diferentes, podendo ser na mesma escola (concomitância interna)ou escolas distintas (concomitância externa).

EJA – Educação de Jovens e Adultos – para as pessoas que não completaram, abandoaram ou não tiveram acesso à educação formal na idade apropriada. Antigo Ensino Supletivo.

FB – Formação Básica.

FP – Formação Profissional.

Híb – Híbrido ou misto (Formação Básica e Formação Profissional no mesmo curso).

 

Um esclarecimento importante para o leitor é que raramente uma única escola consegue ofertar todas essas sete opções. Inclusive muitos munícipios brasileiros não dispõem de todas essas variações. Mas como toda escolha acertada pressupõe a reflexão sobre a totalidade, então fica aqui registrado o Nível Médio brasileiro na sua completude na atualidade.

Portanto, a escolha do curso de Nível Médio requer várias reflexões. A primeiraé saber se já é hora de se iniciar a profissionalização e caso afirmativo qual curso Técnico escolher e qual modelo adotar (Concomitante, Integrado ou Subsequente). Por isso alguns estudiosos já estão postulando Orientação Profissional para o Nível Médio ainda no Ensino Fundamental. Segundo, todos precisam entender que o Nível Médio tem cinco funções que não podem ser descuidadas nem por pais, educadores e estudantes. São elas: Formativa (Preparação do adolescente para a Vida e Cidadania), Profissional (preparação e/ou habilitação para o Trabalho), Propedêutica (preparação para continuidade dos Estudos), Social (cidadãos valorosos para a sociedade) e Cultural (continuidade da cultura humana).

O Nível Médio não tem uma única função, um único objetivo, e sim vários, o que aliás também ocorre com as demais etapas escolares. O tradicional debate sobre dualidade nesta etapa escolar (escola técnica para pobres e escola preparatória para o Ensino Superior para ricos) transformou-se numa armadilha conceitual paralisante para muitos que precisa ser superada.

A chamada crise de identidade do Nível Médio é outro debate-armadilha que será superado quando entender-se que ele responde a vários objetivos e não a um só. E temos que trabalhar para isso. Pelos adolescentes, pelas famílias, pela sociedade, pela Nação, pela Ciência e pela Cultura Humana.

 

Prof. Dr. Luciano Marcos Curi - IFTM – Câmpus Uberaba – Contato: lucianocuri@iftm.edu.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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