sexta-feira, 9 de julho de 2021

Araxá foi cenário para composição de música inédita de Cazuza, lançada 30 anos após ser registrada em estúdio

 

Cazuza durante show realizado no ginásio Dino Baroni em Araxá no dia 15 de junho 1986. (Foto: Maria Rita)


“Mina” sai do baú de Cazuza e ganha as ruas mais de 30 anos depois de o compositor registrá-la em estúdio — um registro de sua voz que ouvimos agora, pela primeira vez, no single lançado pela Universal Music nesta sexta-feira, com clipe animado por Humberto Barros. Parceria do letrista com George Israel e Nilo Romero (trio que assina clássicos como “Brasil” e “Solidão, que nada”), a canção entraria no disco “Só se for a 2”, de 1987, mas acabou ficando fora.

A música chegou a ser lançada por Leo Jaime, em 1990, e o próprio George Israel a gravou em 2007. Mas o registro de Cazuza se mantinha inédito até agora, quando chega às ruas com um arranjo refeito por Nilo. Ele chamou Rogério Meanda (guitarra) e João Rebouças (teclados) — músicos que, como ele, participaram da gravação original. Lourenço Monteiro (bateria) e Marcos Suzano (percussão) reforçam o time. O coro de Solange Rosa, Eveline Hecker e Paulinho Soledade é o mesmo de 1987 — assim como o frescor dos versos de Cazuza.

"Eu e George tínhamos uma mesinha de quatro canais, que gravava em fita cassete, e vivíamos fazendo músicas, gravando ali e dando as fitas pro Cazuza", lembra Nilo, que diz que Cazuza era uma usina de fazer letra: "Quando ele ouvia, já cantava alguma coisa na hora, levava a fita e no dia seguinte trazia a letra pronta. Podia mexer depois, mas nunca sofria pra fazer, era muito solto”.

Observador agudo, olhar de cronista, Cazuza sempre se inspirava no que via e vivia. “Mina” condensa meninas que circulavam pelo Baixo Leblon e, Nilo conta, bebe de uma situação específica que eles vivenciaram depois de um show em Araxá:


Cazuza, integrantes da banda e araxaenses na mesa do restaurante tarantela de Araxá, depois do do show no Dino baroni em Araxá ( foto Maria Rita). 

"Saímos para comer uma pizza e a determinada altura apareceu um cara querendo mandar numa das meninas que estava ali. 'Esse aí me viu crescer e acha que é meu dono', ela disse. Lá pelas tantas, o cara pegou uma faca, Cazuza defendeu todo mundo, jogou uma mesa nele, o segurança chegou… Um tempo depois, veio 'Mina'".

A mulher descrita em “Mina” exerce sua liberdade sem amarras, e o narrador se esforça pra “não ser aquele cara chato”, mas não consegue evitar julgá-la (“esses caras do teu lado não tão com nada”). O clipe de animação (dirigido por Humberto Barros e Nilo Romero) traça em linhas mais fortes essa perspectiva atual, mostrando o narrador como um coroa de bengala que acaba sozinho na noite do Rio, enquanto ela aparece se relacionando com homens e com mulheres, cercada de amigos, o tempo todo alegre e dona de si.

(fonte; Extra)

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