Como
um grande rio responsável pelo fluxo entre a Av. Paulista e o rio
Pinheiros, a Avenida Rebouças hoje é um dos eixos de estruturação da
transformação urbana da Grande São Paulo e recebe um movimento de
transformação recente e rápido: a nova geração dos edifícios
multifuncionais da cidade.
A
mudança da lei de zoneamento e a inauguração da Linha 4 (Amarela) do
metrô paulista refletiu, até o momento, na instauração de pelo menos 11
edifícios multiusos, que usam o conceito de fachada ativa -
implementando ambientes livres de uso público, áreas comerciais e
espaços de transição entre o edifício e a cidade, como lojas e cinemas -
associada às torres ocupadas por escritórios, residências e hotéis.
A
integração do edifício multifuncional nos centros de mobilidade urbana e
a heterogeneidade das regiões que antes eram facilmente distintas entre
moradia e comercial levantam questões que não existiam. O edifício
deixa de ser visto como elemento autônomo e isolado do espaço urbano e
dá protagonismo à coletividade. Por outro lado, a tendência também gera
adensamentos sem a liberação de espaços que pensem o contexto de
bem-estar social, com áreas abertas, inclusivas, sustentáveis e
acessíveis. Questões estas que se tornam cada vez mais latentes dado ao
contexto pandêmico e às projeções do futuro da vida nas cidades.
Importante
destacar que essa mudança não é exclusiva da Avenida Rebouças, ocorre
nos corredores de uso especial da cidade: Zonas de Eixo de Estruturação e
Transformação Urbana (ZEU). E ocorre rápido. Tão rápido quanto assim
permitem as tecnologias de construção
Tecnicamente,
a resposta a esta demanda pode ser dada pela construção
industrializada, com destaque para as estruturas mistas em aço e
concreto, com possibilidade de plantas livres, obtendo a estabilidade
das torres, além dos núcleos de circulação vertical, pelos
contraventamentos de fachada e consequente redução de pilares
necessários ao aporticamento. Além disso, pela produção da estrutura
metálica ser feita dentro das fábricas, há uma redução da necessidade de
mobilização de canteiros de obra, da dimensão dos elementos estruturais
e do desperdício de materiais e entulhos. Também se destacam a
possibilidade do uso de painéis de vedação e o incentivo à produção
industrial, para a qual é atribuída grande importância econômica, um
gatilho para o desenvolvimento.
Dessa
forma, esta tendência também deve ser pensada no impacto social. A
modernização urbana e a heterogeneidade das regiões atuam não apenas
para diminuir desigualdades, mas para mitigá-las. A condição de
desigualdade vem sendo agravada pela pandemia, assim como vem sendo
enorme a necessidade de inovações e adaptações na forma como vivemos.
O
trabalho remoto, a atividade física nas varandas, a escola próxima, os
pequenos deslocamentos para abastecimento, a coabitação, o
questionamento quanto à necessidade de estacionamentos e torres de
escritórios. Nosso futuro é incerto. Uma certeza, no entanto, é nossa
necessidade de convívio: somos seres sociais e a isso estão atreladas
nossa troca de experiências, criatividade e afetos.
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